Na primeira parte, marcam presença os mitos de Antígona, Medeia e Héracles, além dos que poderíamos englobar sob as legendas “mito troiano” e “mito tebano”. Pontualmente, a consideração das peças fragmentárias amplia o horizonte. A comédia grega e latina é também merecedora de diversos estudos, em que o teatro de Aristófanes e de Plauto têm destaque. Platão, um notável espectador e testemunho de uma leitura ‘a quente’ da produção dramática sua contemporânea, tem lugar numa reflexão em que o público é um pressuposto incontornável. A segunda parte do volume constitui-se de um conjunto expressivo de estudos de receção, abarcando um lapso de séculos, que vai do XVI à contemporaneidade. De acordo com a origem diversificada dos autores, esses estudos dizem sobretudo respeito à Europa e América Latina. A proximidade dos diversos estudiosos que participam neste volume com a realidade geográfica e cultural em que as reescritas em análise foram produzidas é uma garantia da capacidade de produzir um enquadramento essencial à compreensão das variantes nelas envolvidas. Por outro lado, a sua identidade académica justifica que a abordagem, além de literária, seja também dramática e cénica. Por fim, dois capítulos são dedicados ao modo como o nosso mundo, totalmente rendido aos meios informáticos, tem aberto os novos canais de inventariação, registo, confronto e análise, ao estudo dos Clássicos. E uma vez mais, como sempre, os ‘velhos’ textos têm sido capazes de afirmar a sua incrível versatilidade.